segunda-feira, 28 de março de 2011

Parabéns ao cinema gaúcho, saúde e felicidade!

A arte da imagem em movimento; frames que rodados às dezenas, em segundos, dão leveza, continuidade e balanço ao que antes eram apenas fitas e rolos. O cinema, que hoje se tornou habitual à maioria das pessoas, na antiguidade era visto com apreensão e medo, afinal, gravar imagens de pessoas em grandes telas brancas, só poderia ser coisa do demônio, assim como, as imagens fotográficas foram, um dia, frutos de um grande bruxo, chamado daguereótipo.

Deixando a imaginação de lado, vamos às verdades. O cinema, conhecido como a sétima arte, é também a mais democrática delas. Apenas dois anos após ser exibido em Paris, no Grand Café, em 1895, o cinematógrafo chegou a Porto Alegre, na terra dos pampas, causando alvoroço em suas primeiras apresentações, no Theatro São Pedro e em dois cafés-concertos da Rua da Praia*.

A afinidade do Estado com as telonas foi instantânea, com produções se espalhando pelos quatro cantos do Rio Grande. Nossos primeiros registros cinematográficos são reportados à era do cinema mudo, com produções não ficcionais, o que os estudiosos da arte costumam chamar de “cinema de cavação”, onde os produtores “cavavam” as informações reais, algo que hoje conhecemos como documentário, um dos tantos gêneros cinematográficos conhecidos em todo o mundo.


A produção cinematográfica no Rio Grande do Sul sempre foi de larga escala, mesmo nos períodos de maior pobreza de investimentos na arte. A riqueza do Estado vinha da intelectualidade e vontade de manter viva a cultura das produções em cinema. E esta riqueza era tão grande que se criou, aqui, algo jamais visto em outras regiões do país. Ou por acaso você já ouviu falar de “cinema catarinense”, “cinema paulista” ou “cinema paranaense”. Enfim, a conceituação do cinema gaúcho chegou a tal patamar que, hoje, muitos produtores de cinema lutam para desmistificar este conceito, alegando que os filmes produzidos aqui devem ser considerados antes de tudo cinema brasileiro, sem distinção. Até concordo, mas, perdoem-me os que acreditam nisso, o cinema produzido no Rio Grande do Sul é único e inigualável. Talvez seja pela origem das produções, ou talvez por sermos um Estado, onde um grupo de jovens porto-alegrenses, com sua vontade de mudar o cenário artístico, pegou suas câmeras familiares – em super-8 – e produziram as maiores pérolas de nossa produção cinematográfica. E estes jovens foram além, não criaram apenas uma forma de fazer cinema. Juntos, eles criaram também um movimento cinematográfico, conhecido hoje como movimento superoitista. A iniciativa fez com que toda uma geração passasse a gostar de cinema, com que as pessoas que passaram sua juventude ao longo das décadas de 70 e 80, se vissem representadas nas telas, algo jamais visto anteriormente, algo que só foi possível através de Deu Pra Ti Anos 70, Verdes Anos, Inverno e uma série de outros nomes. Um movimento que fez com que conhecêssemos nomes como Carlos Gerbasse, Giba Assis Brasil, Nelson Nadotti.

Graças a estes e muitos outros, como Teixeirinha, José Mendes e, até mesmo, o histórico Eduardo Hirtz – é que neste dia 27 de março podemos, com orgulho, comemorar o Dia do Cinema Gaúcho.

E orgulhem-se produtores e cineastas, não queiram se igualar. Afinal, sem bairrismo nem falsas modéstias, vocês são inigualáveis.

* De acordo com Cláudio Todeschini, em Cinema no Rio Grande do Sul, organização de Tuio Becker. Porto Alegre 1995

Eveline Poncio

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